Escrito por 19:28 Cotidiano Vocacional, Notícias 2020

Dez dicas do Superior Geral, Ir. Ernesto Sánchez, para uma cultura vocacional

Circular Lares de Luz Cultura Vocacional

Em setembro de 2020, o Ir. Ernesto Sánchez, Superior Geral do Instituto Marista, enviou aos Maristas de Champagnat a sua primeira circular, intitulada “Lares de Luz: cuidamos da vida e geramos nova vida”A saber, o documento trata da vivência de nossa espiritualidade, do cuidado com a vida em seus variados aspectos e de perspectivas para o futuro. 

A seguir, apresentamos dez aspectos para os quais o Ir. Ernesto nos chama a atenção, no que se refere ao fortalecimento de uma cultura vocacional.

>>> Confira a circular na íntegra. 

Vida de oração

  1. Começo assinalando a importância de considerar o tema vocacional de maneira integrada, num processo de aprendizagem e crescimento na vida de oração. Favorecer uma atitude de abertura e disponibilidade diante de Deus, que nos ama incondicionalmente. Seu chamado é atual e contínuo. Nossa oração é vocacional em si mesma, pois é parte do dinamismo de escuta e resposta, de abertura e disponibilidade diante do amor de Deus que experimentamos em nós. Então, não se trataria tanto de “rezar pelas vocações”, senão de convidar a partilhar nossa oração e de orar juntos, de abrir-nos à presença e à vontade do Pai. Os jovens, as famílias, os educadores, as fraternidades, as comunidades… Juntos orando em comunhão e celebrando a fidelidade de Deus na vida de cada um. 

Planos de animação vocacional

  1. Outro aspecto que desejo sinalizar refere-se à revisão dos atuais planos de animação vocacional em nível provincial e local. Planos que abar­cam linhas e ações para acompanhar cada jovem em sua busca e, ao mesmo tempo, contenham um parágrafo específico relacionado com o acompanhamen­to vocacional marista. Verificar se existe um programa que propõe os temas, adequando-os à idade e à etapa dos adolescentes e jovens. É importante que os planos contenham uma base que favoreça e acompanhe um processo de conhe­cimento e de conversão ao Evangelho, de iniciação à vida cristã… E, assim, evitar o risco de querer saltar etapas.

Comunicação com os jovens

  1. Renovar nossas linguagens de comunicação com os jovens. Colocar os meios digitais e nossa presença nas redes a serviço do Reino. É de grande ajuda a presença dos mesmos jovens no momento de fazer planos ou de contar com eles como parte das equipes onde possam exercer protagonismo. Suas iniciativas e o uso dos meios de comunicação atuais ajudam a apresentar os valores cristãos e maristas de maneira atrativa e atualizada.

Etapa universitária

  1. Revisar como estamos engajados na etapa universitária. Muitos jovens, apenas terminada a etapa do Ensino Médio, talvez começarão a se fazer perguntas mais de fundo relacionadas com sua opção de vida. Outros o farão durante sua etapa universitária ou quando a concluírem. Tenho a impressão de que não estamos suficientemente presentes nesta etapa e que poderíamos fazer algo mais para servir e acompanhar o seu caminhar cristão a tantos jovens que quiçá passaram por nossos colégios ou grupos. Talvez nosso melhor serviço seja ajudar a buscar e encontrar “sentido”. Em várias de nossas universidades maristas, e outras em que estamos presentes, existem planos e ações pastorais muito adequados para esta etapa. Seria a ocasião de revisar como se leva a cabo o acompanhamento dos jovens em vista de sua opção de vida.

Gratuidade e solidariedade

  1. Oferecer oportunidades aos jovens onde podem viver a gratuidade e a solidariedade, sobretudo com pessoas da periferia e com mais necessidade. O contato direto com realidades de carência e de pobreza tem questionado a muitos jovens sobre sua opção de vida. Trata-se de experiências solidárias acompanhadas e relidas, nas quais, a partir do clamor dos pobres, descobre-se o rosto de Jesus presente neles. Mais de uma opção vocacional radical surgiu entre os jovens após viver uma experiência intensa de voluntariado. Uma característica dos jovens de hoje é sua abertura a ações altruístas e voluntárias na linha da solidariedade. Sempre tendo presente, neste tipo de experiência, o foco central e a missão a serviço dos pobres, assim como a pessoa e seu desenvolvimento. Trata-se, certamente, também de uma ajuda para o próprio descobrimento vocacional, sem que isto seja o objetivo prioritário.

Irmãos e Leigos

  1. Avaliar se vamos atuando juntos, Irmãos e Leigos, nas propostas e processos de acompanhamento humano, cristão e vocacional. Ver como engajamos as comunidades e Irmãos e, em determinadas ocasiões, a alguns Irmãos de mais idade, cuja contribuição é muito valiosa ao transmitir-nos histórias de fidelidade pessoal, de vidas felizes e inclusive heróicas. Alentar os Leigos maristas para que ofereçam seu testemunho de vida. Envolver os jovens na etapa da formação inicial e os Irmãos de votos temporários para que conectem com as novas gerações e partilhem sua experiência de vida. Há também muitos voluntários e voluntárias que poderiam transmitir os valores que aprenderam por meio de sua vivência.

Acompanhamento das famílias

  1. É importante o acompanhamento das famílias, por meio do contato, oferecendo informação, gerando processos de reflexão. Convidar, em ocasiões oportunas, pais de família para oferecer seu testemunho de vida, relacionando com sua própria experiência matrimonial e também com respeito a sua abertura para saber deixar seus filhos «empreender seu próprio voo». Recordo algumas experiências muito positivas quando os pais de algum Irmão ou de algum jovem em formação marista compartilhava sua experiência com outros pais de família. É muito valiosa a contribuição dos Leigos maristas neste tema da família, tanto pelo próprio testemunho que dão, como pelo acompanhamento que podem oferecer com respeito à vocação marista.

Serviço da animação vocacional

  1. Necessitamos pessoas, Irmãos e Leigos, que se dediquem, seja a tempo completo ou de maneira parcial, ao serviço da animação vocacional. Quando se faz uma animação juvenil-vocacional de maneira integrada, é importante definir a tarefa daqueles que acompanham de perto os que discernem uma vocação específica, em particular a vocação marista. Em nível de Província ou de Distrito, poderíamos identificar a pessoa ou pessoas responsáveis da animação vocacional, que trabalham em equipe e que coordenam as equipes locais ou dos países (nas Unidades Administrativas que estão presentes em mais de um país). Seria preocupante encontrar Províncias ou Distritos que não destinam pessoas para este serviço. Um sinal de aposta pela vida e pelo futuro consiste em ser generosos em destinar e formar Irmãos e Leigos para o serviço do acompanhamento integral dos jovens, incluindo a animação vocacional. 

Conexão com congregações e dioceses

  1. É de grande ajuda se o serviço de animação vocacional se realiza em conexão com outras congregações religiosas e com as dioceses. Trabalhar unidos para acompanhar a diversidade de carismas que Deus suscita entre os jovens. É importante colaborar em equipes “inter” de maneira que se dê conhecimento e apoio mútuo. Também é a oportunidade para dar a conhecer a vocação marista, que em muitos âmbitos é pouco conhecida ou considerada, em parte talvez porque não nos fazemos suficientemente presentes.

Acompanhamento pessoal

  1. Dentro dos planos, o acompanhamento pessoal joga um papel chave e é um elemento transversal a incluir em todas as iniciativas. É um serviço que necessitamos oferecer a todo jovem que o deseja e, particularmente, aos que desejam discernir sua vocação específica e, em alguns casos, a marista. Quantos, Irmãos e Leigos, estamos preparados para oferecer este serviço de acompanhamento? Que programas levamos a cabo para formar no acompanhamento? No Sínodo sobre os jovens, fez-se notar a carência de pessoas peritas e dedicadas ao acompanhamento e se reconheceu a necessidade de preparar consagrados e Leigos, homens e mulheres que estejam qualificados para o acompanhamento dos jovens.
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